É quase impossível atualmente encontrar quem utilize o correio eletrónico e que não tenha ouvido falar em SPAM, ou pior ainda, não seja uma das suas vítimas diárias. Agregado ao SPAM chegam as inúmeras mensagens dos nossos amigos e conhecidos que, a julgar pelo número rececionado, devem passar o dia a reencaminhar os e-mails que recebem para toda a sua lista de contactos, tornado ainda mais penoso o ato de fazer uma gestão célere e prática da nossa caixa de correio.
Por tudo isto, e como utilizo o meu endereço eletrónico há mais de 10 anos, tendo a minha caixa de correio bombardeada com quase uma centena de e-mails diários, decido ocasionalmente perder (ou ganhar, depende do ponto de vista!) algum tempo a eliminar SPAM, a remover o meu endereço eletrónico de mailing lists ou, simplesmente, a responder a alguns amigos e conhecidos que não é por reencaminharem um determinado número de e-mails que poderão vir a ter mais sorte, que a criancinha doente se vai salvar ou que podem vir a ganhar o maravilhoso iPhone 4s!
É quase um combate contra moinhos de vento, uma cruzada impossível de vencer. Parece que cada vez chegam ainda mais e-mails, a avisar-me para ter cuidado com as festas para as quais sou convidado (onde posso acordar numa banheira de gelo sem um rim) ou para não comer bananas vindas da Guatemala (porque a vizinha da prima do amigo do padeiro foi mordida por uma cobra que vinha na caixa das ditas). Mas se estas lendas urbanas passadas e “repassadas” por simples ignorância ainda podem ser toleradas, já certas atitudes tomadas por empresas bem conhecidas e que deveriam contribuir positivamente para a circulação de menos lixo cibernético, devem ser denunciadas.
O meu contacto eletrónico fazia parte da mailing list da Central de Cervejas, pois registei-me no seu sitio da internet por ocasião de um concurso levado a cabo pela cerveja SAGRES. A par dessa inscrição, comecei a receber a newsletter assiduamente. Também com a mesma assiduidade, carregava no link “REMOVER”, de modo a deixar de receber esse tipo de correio eletrónico. Abria-se uma caixa de correio do outlook com o endereço da Central de Cervejas e a palavra REMOVER no assunto e bastava carregar em enviar. Um processo simples… mas no entanto ineficaz! Mês após mês, o processo repetia-se e as newsletters continuavam a chegar.
Não basta às empresas terem o instrumento legal para proceder à remoção dos endereços. Há que proceder em conformidade com a vontade do visado. Da parte da Central de Cervejas, nunca recebi qualquer informação de confirmação da remoção do meu endereço da base de dados.
Farto disto, enviei um último e-mail, com conhecimento à Associação Portuguesa de Marketing Direto (AMD). Resultado: em dois dias o meu contacto foi removido. Ou seja, só após a intervenção da entidade reguladora foi possível satisfazer a minha vontade. Uma vontade que já vinha a ser demonstrada há meses…
Aproveito para dar os parabéns à AMD pela rápida intervenção para a resolução da situação. Fico feliz por sentir e saber que há organizações que funcionam e que têm peso na proteção do consumidor.
No entanto, não posso fazer o mesmo à Central de Cervejas. Meses a enviar e-mails sem sucesso e só após a intervenção da AMD é que “me deram ouvidos”. Com a agravante de nunca terem respondido ao interessado e com a agravante da confirmação da retirada do endereço da base de dados ter sido dada à entidade reguladora e não a mim.
E é contra esta visão das empresas em pensarem que os endereços eletrónicos são “números” que podem trabalhar em função dos objetivos que pretendem atingir, sem pensarem que existem pessoas de carne o osso por trás desses endereços (sim, esses é que bebem a cervejinha fresquinha!), que atribuo mais um prémio da fúria, desta feita à Central de Cervejas.
Espero que lhes dê tanto prazer recebê-lo como a mim entregá-lo!

































